segunda-feira, 12 de março de 2012



José Antonio Cerro Castiglione, experiente da Ibero, analisa situações econômicas de anos anteriores e como influirão na economia do país em 2012.


A nível mundial continua uma situação de crescimento débil e desigual, onde os principais problemas se mostram em Estados Unidos e a União Europeia
A elevada dependência dos preços internacionais dos alimentos e a gasolina pesam em nossa balança comercial
O ano 2009 deixou em claro a vulnerabilidade de México ante a crise mundial, resultante do alto grau de dependência em relação com a economia de Estados Unidos.

A combinação de uma queda nas exportações, as que foram no período anterior o elemento mais dinâmico da economia mexicana, unido a uma sensível baixa em remessas, turismo e investimentos estrangeiros, resultou numa queda do produto interno bruto (PIB) de 6.16 por cento, a maior na história moderna.

A recuperação foi relativamente boa em 2010, mas seguindo a tendência da economia mundial 2011 mostra um crescimento menor a 4 por cento, com diferentes efeitos nos planos econômicos, sociais e políticos.

Uma série de elementos estruturais, além de sua grande dependência, seguem pesando negativamente num baixo índice de poupança e investimento, com o consequente teto a nosso crescimento econômico, mesmo que é insuficiente para a criação de emprego na quantidade e qualidade necessárias.

Assim mesmo, uma queda nos investimentos estrangeiros diretas, compensada por um investimento em carteira de perigosas característica por sua volatilidade, e uma marcada continuação da redução na produção petroleira, com uma mostra na redução da balança comercial de combustíveis, pese ao aumento do preço do crude.

A elevada dependência dos preços internacionais dos alimentos e a gasolina, onde somos grandes importadores, pesam em nossa balança comercial, além de fortes pressões nos índices de preços, até o momento contidas.

México veio mostrando uma estabilidade macroeconômica, mesma que não foi suficiente para garantir um crescimento sustentado e forte, mas que ademais se debilitou nos últimos anos, particularmente em temas tais como comportamento do tipo de mudança e do déficit fiscal.

A nível mundial continua uma situação de crescimento débil e desigual, onde os principais problemas se mostram em Estados Unidos e a União Européia, com contágio possível ao resto do mundo, esperando-se baixas taxas de crescimento, ainda menores às de 2011. No caso de México, o crescimento do PIB a mais de 5 por cento em 2010 se reduziu a menos de 4 por cento para o presente ano.

Os dados atuais de população por embaixo das linhas de pobreza e pobreza extrema bem como o referente à distribuição do rendimento não se prevê que se melhorem, como não se espera um crescimento do emprego necessário para compensar o aumento na população economicamente ativa, esperando-se um crescimento ainda menor para 2012.

Tudo isto estaria acompanhado por um menor crescimento na exportação, um aumento no déficit fiscal -quase 3 por cento do PIB-, certa volatilidade no tipo de mudança e um déficit de conta corrente da balança de pagamentos de algo mais de dez mil milhões de dólares.

Assim mesmo se espera uma continuação de baixo nível de investimento estrangeiro direta, compensado por investimentos no mercado de dinheiro. Além dos anteriores cálculos há três elementos que podem pesar muito forte, e muito provavelmente de forma negativa, no comportamento da economia este ano:

1. A situação de uma piora da segurança , com fortes impactos sociais e econômicos.

2. O comportamento da economia de Estados Unidos em particular, e a mundial em general, onde se espera um crescimento débil, rodeado de uma grande incerteza sobre os riscos prováveis.

3. O fato de ter um ano eleitoral, com forte concorrência entre partidos, onde a luta diária, onde se espera uma continuação das desqualificações e a falta de propostas, pode afetar negativamente o funcionamento da sociedade em todos seus níveis.

Finalmente, e sem dúvida o mais importante, os efeitos sociais, com uma piora na distribuição do rendimento e aumento da pobreza, tendo como pano de fundo a situação do emprego, e um considerável atraso nos principais elementos da proteção social, particularmente saúde, educação e segurança social.



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